
Uma série de comerciais com o objetivo de ajudar a Microsoft a polir o nome maltratado do Windows Vista foi lançada este mês. Há mais de um ano, Bill Veghte, o executivo da Microsoft responsável por dar sustentabilidade ao Windows, e sua equipe têm desenvolvido formas de transformar a experiência de compra e uso de computadores pessoais que utilizam softwares Microsoft.
Até agora, a Microsoft insiste que boa parte dos frustrantes problemas técnicos do Vista, lançado após diversos atrasos em janeiro de 2007, foram solucionados - e muitos executivos e analistas da indústria concordam. No entanto, os problemas do Vista abriram as portas para alternativas ao Windows de uma forma inédita.
O Windows ainda comanda mais de 90% do mercado de sistemas operacionais de computadores pessoais. Mas o sistema operacional dos Macintosh - que roda apenas em máquinas Apple - está ganhando terreno, especialmente nos Estados Unidos.
Os tropeços da Microsoft também incentivaram a transferência dos softwares de PCs para a Web. Programas que rodam na Web, de e-mails, planilhas e outras tarefas que funcionam no navegador, têm minado o valor do sistema operacional subjacente. De fato, a entrada do Google no mercado dos navegadores este mês é uma declaração implícita de que o navegador vem cada vez mais suplantando o sistema operacional do PC como uma porta estratégica na computação.
Boa parte da receita da Microsoft, que tem receita considerável, se deve ao Windows. No ano fiscal que terminou em junho, o grupo Windows da Microsoft gerou uma receita de cerca de US$ 16,9 bilhões, com lucros operacionais de mais de US$ 13 bilhões, uma margem fenomenal de 77%.
Para manter o negócio funcionando, a Microsoft precisa que consumidores e empresas adquiram as novas versões do Windows - algo que não tem sido fácil com o Vista. "O que estamos notando com o Vista é que, pela primeira vez, uma porção significativa dos consumidores individuais e corporativos decidiu que não vale a pena fazer a atualização de sistema," disse David B. Yoffie, professor da Harvard Business School. "E se eles não atualizarem, o fim da marca está próximo."
Segundo a Microsoft, o principal problema do Vista é que, devido aos atrasos, incertezas e mudanças importantes no software, o resto da indústria não estava preparado quando o Vista finalmente chegou. Ao redor do mundo, existe um bilhão de usuários das várias versões do Windows. Centenas de milhares de máquinas e programas funcionam com o sistema e precisam de programas de conexão, chamados drivers, para funcionar adequadamente.
O Vista representou uma mudança enorme de seu predecessor, o XP, o que exigiu uma série de novos drivers - e a Microsoft fez um péssimo trabalho comunicando quantos ajustes seriam necessários. Segundo a Microsoft, muitas vezes um driver antigo funcionava no Vista, mas deixava o PC lento ou o fazia travar.
Hoje, 77 mil dispositivos de hardware e componentes são compatíveis com o Vista, mais que o dobro da época em que o sistema foi lançado. "O Vista está num momento bem diferente do que estava há seis meses," disse Veghte, vice-presidente sênior de estratégia e marketing do Windows. "Muitas pessoas continuam criticando o Windows Vista sem nunca tê-lo testado, ou pelo menos não recentemente."
Logo após o lançamento do Vista, Steven Ballmer, presidente da Microsoft, chamou Veghte, 41, para trabalhar no segmento Windows. Há 18 anos na Microsoft, Veghte tem extensa experiência na área de vendas, marketing e desenvolvimento de software (ele possui duas patentes).
Os transtornos com o Vista foram vistos pela gerência da Microsoft como uma oportunidade. Mike Nash, que já havia trabalhado com Veghte, se juntou a ele. "Havia tanta coisa que podíamos melhorar", disse Nash, vice-presidente da gerência de produtos do Windows. "Nossa missão era sacudir as coisas e deixar o segmento Windows muito mais sustentável para os próximos anos."
Em uma reunião em julho de 2007, Ballmer resolveu seguir o plano de Veghte e aumentar os investimentos no segmento Windows. Em termos gerais, a estratégia era trabalhar junto a fabricantes de PC e varejistas, e mudar a percepção da marca Windows com uma campanha de marketing de muitos anos, que Veghte chamou de "uma conversa constante sobre o que é o Windows."
A equipe batizou a missão de FTP 168, abreviação de Free the People 24x7 - que é a liberdade para fazer todo tipo de coisa, a qualquer momento, com o Windows num PC, no celular ou na web. Espera-se que com a campanha, a marca Windows ultrapasse os limites do PC, de forma que o segmento possa prosperar mesmo com a redução da importância do PC. A Microsoft acredita que seu amplo alcance lhe dá supremacia sobre rivais como Apple e Google.
"A Microsoft e o Windows podem conectar o PC, o celular e a web para os consumidores de uma maneira que nenhuma outra companhia ou tecnologia consegue," Veghte disse. Para estabelecer planos mais detalhados, Veghte convocou 10 gerentes de outros setores da empresa.
Na primeira reunião, Veghte, de acordo com membros da equipe, começou dizendo três coisas: suas reputações pessoais estão em jogo; não precisamos necessariamente respeitar o que a Microsoft fez no passado; e vamos tentar testar as coisas rápido, rodando projetos-piloto.
Numa loja em Seattle, a Microsoft montou um "centro de experiência no varejo" para testar idéias sobre o comportamento dos compradores. Com as vendas no varejo contabilizando 40% das vendas de PC no mundo, e crescendo duas vezes mais rápido que outras vendas, a Microsoft decidiu que precisava se envolver mais ao invés de apenas entregar produtos e subsidiar promoções. "Não proporcionávamos as ferramentas e o pessoal para ajudar o varejo," disse Bill Brownell, gerente-geral do marketing de varejo da Microsoft.
A Microsoft está compartilhando suas pesquisas com os varejistas. Está também pagando algumas centenas de especialistas em Windows para falar com os compradores. Esses 'Gurus do Windows' tecnicamente trabalham para agências de emprego, mas a Microsoft os recruta e os treina.
Manny Gouveia, 30, é um Guru do Windows de Orlando, Flórida. Gouveia, bacharel fissurado em tecnologia, passou por um programa de treinamento de sete dias na Microsoft e ainda recebe treinamento online regularmente. Ele trabalha na loja de eletrônicos Circuit City, onde faz demonstrações de como utilizar o Vista para editar filmes, postar fotos de família online e gravar programas de televisão.
"Estamos lá para transmitir a sensação das grandes experiências que as pessoas podem ter com um computador, não apenas usando e-mails e navegando na Internet," disse Gouveia. "As pessoas chegam aqui com a visão de que o Windows Vista não corresponde às suas expectativas. Mas transformo essa percepção em cinco minutos."
O próprio Gouveia precisou ser convencido no início. "Antes desse projeto, nunca havia utilizado o Vista," ele disse. "Não via uma razão convincente para fazer a atualização." Desde então, ele comprou dois computadores com Vista.
Junto a fabricantes de computadores pessoais, a Microsoft criou uma iniciativa chamada Vista Velocity para melhoria de desempenho. Ela envolve dias de testes especializados, colaboração íntima com engenheiros da Microsoft e um ajuste apurado de programas e drivers. Em alguns modelos, por exemplo, o tempo de inicialização do Vista foi reduzido em 60%.
Na Sony, 20% de seus modelos Vaio para usuários finais passaram pelo Vista Velocity, e o objetivo é que todos passem pelo processo, disse Mike Abary, vice-presidente sênior de marketing do segmento Vaio da Sony. O resultado, disse Abary, é que um melhor desempenho contribuirá para "uma proposta de compra mais convincente." O mercado tem hesitado," ele disse
O Windows ainda comanda mais de 90% do mercado de sistemas operacionais de computadores pessoais. Mas o sistema operacional dos Macintosh - que roda apenas em máquinas Apple - está ganhando terreno, especialmente nos Estados Unidos.
Os tropeços da Microsoft também incentivaram a transferência dos softwares de PCs para a Web. Programas que rodam na Web, de e-mails, planilhas e outras tarefas que funcionam no navegador, têm minado o valor do sistema operacional subjacente. De fato, a entrada do Google no mercado dos navegadores este mês é uma declaração implícita de que o navegador vem cada vez mais suplantando o sistema operacional do PC como uma porta estratégica na computação.
Boa parte da receita da Microsoft, que tem receita considerável, se deve ao Windows. No ano fiscal que terminou em junho, o grupo Windows da Microsoft gerou uma receita de cerca de US$ 16,9 bilhões, com lucros operacionais de mais de US$ 13 bilhões, uma margem fenomenal de 77%.
Para manter o negócio funcionando, a Microsoft precisa que consumidores e empresas adquiram as novas versões do Windows - algo que não tem sido fácil com o Vista. "O que estamos notando com o Vista é que, pela primeira vez, uma porção significativa dos consumidores individuais e corporativos decidiu que não vale a pena fazer a atualização de sistema," disse David B. Yoffie, professor da Harvard Business School. "E se eles não atualizarem, o fim da marca está próximo."
Segundo a Microsoft, o principal problema do Vista é que, devido aos atrasos, incertezas e mudanças importantes no software, o resto da indústria não estava preparado quando o Vista finalmente chegou. Ao redor do mundo, existe um bilhão de usuários das várias versões do Windows. Centenas de milhares de máquinas e programas funcionam com o sistema e precisam de programas de conexão, chamados drivers, para funcionar adequadamente.
O Vista representou uma mudança enorme de seu predecessor, o XP, o que exigiu uma série de novos drivers - e a Microsoft fez um péssimo trabalho comunicando quantos ajustes seriam necessários. Segundo a Microsoft, muitas vezes um driver antigo funcionava no Vista, mas deixava o PC lento ou o fazia travar.
Hoje, 77 mil dispositivos de hardware e componentes são compatíveis com o Vista, mais que o dobro da época em que o sistema foi lançado. "O Vista está num momento bem diferente do que estava há seis meses," disse Veghte, vice-presidente sênior de estratégia e marketing do Windows. "Muitas pessoas continuam criticando o Windows Vista sem nunca tê-lo testado, ou pelo menos não recentemente."
Logo após o lançamento do Vista, Steven Ballmer, presidente da Microsoft, chamou Veghte, 41, para trabalhar no segmento Windows. Há 18 anos na Microsoft, Veghte tem extensa experiência na área de vendas, marketing e desenvolvimento de software (ele possui duas patentes).
Os transtornos com o Vista foram vistos pela gerência da Microsoft como uma oportunidade. Mike Nash, que já havia trabalhado com Veghte, se juntou a ele. "Havia tanta coisa que podíamos melhorar", disse Nash, vice-presidente da gerência de produtos do Windows. "Nossa missão era sacudir as coisas e deixar o segmento Windows muito mais sustentável para os próximos anos."
Em uma reunião em julho de 2007, Ballmer resolveu seguir o plano de Veghte e aumentar os investimentos no segmento Windows. Em termos gerais, a estratégia era trabalhar junto a fabricantes de PC e varejistas, e mudar a percepção da marca Windows com uma campanha de marketing de muitos anos, que Veghte chamou de "uma conversa constante sobre o que é o Windows."
A equipe batizou a missão de FTP 168, abreviação de Free the People 24x7 - que é a liberdade para fazer todo tipo de coisa, a qualquer momento, com o Windows num PC, no celular ou na web. Espera-se que com a campanha, a marca Windows ultrapasse os limites do PC, de forma que o segmento possa prosperar mesmo com a redução da importância do PC. A Microsoft acredita que seu amplo alcance lhe dá supremacia sobre rivais como Apple e Google.
"A Microsoft e o Windows podem conectar o PC, o celular e a web para os consumidores de uma maneira que nenhuma outra companhia ou tecnologia consegue," Veghte disse. Para estabelecer planos mais detalhados, Veghte convocou 10 gerentes de outros setores da empresa.
Na primeira reunião, Veghte, de acordo com membros da equipe, começou dizendo três coisas: suas reputações pessoais estão em jogo; não precisamos necessariamente respeitar o que a Microsoft fez no passado; e vamos tentar testar as coisas rápido, rodando projetos-piloto.
Numa loja em Seattle, a Microsoft montou um "centro de experiência no varejo" para testar idéias sobre o comportamento dos compradores. Com as vendas no varejo contabilizando 40% das vendas de PC no mundo, e crescendo duas vezes mais rápido que outras vendas, a Microsoft decidiu que precisava se envolver mais ao invés de apenas entregar produtos e subsidiar promoções. "Não proporcionávamos as ferramentas e o pessoal para ajudar o varejo," disse Bill Brownell, gerente-geral do marketing de varejo da Microsoft.
A Microsoft está compartilhando suas pesquisas com os varejistas. Está também pagando algumas centenas de especialistas em Windows para falar com os compradores. Esses 'Gurus do Windows' tecnicamente trabalham para agências de emprego, mas a Microsoft os recruta e os treina.
Manny Gouveia, 30, é um Guru do Windows de Orlando, Flórida. Gouveia, bacharel fissurado em tecnologia, passou por um programa de treinamento de sete dias na Microsoft e ainda recebe treinamento online regularmente. Ele trabalha na loja de eletrônicos Circuit City, onde faz demonstrações de como utilizar o Vista para editar filmes, postar fotos de família online e gravar programas de televisão.
"Estamos lá para transmitir a sensação das grandes experiências que as pessoas podem ter com um computador, não apenas usando e-mails e navegando na Internet," disse Gouveia. "As pessoas chegam aqui com a visão de que o Windows Vista não corresponde às suas expectativas. Mas transformo essa percepção em cinco minutos."
O próprio Gouveia precisou ser convencido no início. "Antes desse projeto, nunca havia utilizado o Vista," ele disse. "Não via uma razão convincente para fazer a atualização." Desde então, ele comprou dois computadores com Vista.
Junto a fabricantes de computadores pessoais, a Microsoft criou uma iniciativa chamada Vista Velocity para melhoria de desempenho. Ela envolve dias de testes especializados, colaboração íntima com engenheiros da Microsoft e um ajuste apurado de programas e drivers. Em alguns modelos, por exemplo, o tempo de inicialização do Vista foi reduzido em 60%.
Na Sony, 20% de seus modelos Vaio para usuários finais passaram pelo Vista Velocity, e o objetivo é que todos passem pelo processo, disse Mike Abary, vice-presidente sênior de marketing do segmento Vaio da Sony. O resultado, disse Abary, é que um melhor desempenho contribuirá para "uma proposta de compra mais convincente." O mercado tem hesitado," ele disse
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